Aliados querem estender CPI da Petrobras ao governo FHC
O discurso governista de que a oposição tem como interesse real a privatização da Petrobras será permeado a ataques pontuais à gestão tucana
por Agência Estado
Diante da determinação do Supremo Tribunal Federal para que o Congresso
abra a CPI da Petrobras, governo e oposição já começaram a preparar seus
ataques. Do lado da base aliada, o objetivo é conseguir trazer
problemas da gestão Fernando Henrique Cardoso para o debate, enquanto os
oposicionistas querem centrar fogo nas disputas internas entre os
grupos da presidente Dilma Rousseff e do seu antecessor Luiz Inácio Lula
da Silva.
O discurso governista de que a oposição tem como interesse real a
privatização da Petrobras será permeado a ataques pontuais à gestão
tucana. Além de martelar a tentativa de troca do nome para Petrobrax -
projeto de 2000 que acabou enterrado após gerar polêmica -, os aliados
do Planalto querem incluir na pauta da investigação o afundamento da
maior plataforma petrolífera do mundo, a P-36, ocorrida em março de
2001.
Os governistas pretendem ainda explorar a negociação da estatal para a
compra de ativos da espanhola Repsol na Argentina em troca de uma
participação na Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, em
episódio também de 2001.
A oposição, por sua vez, aposta que as disputas internas da companhia
darão combustível para a investigação focar nos negócios suspeitos da
gestão petista.
Diante
da determinação do Supremo Tribunal Federal para que o Congresso abra a
CPI da Petrobras, governo e oposição já começaram a preparar seus
ataques (Foto: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo)
Aliados dos pré-candidatos ao Planalto Aécio Neves (PSDB) e Eduardo
Campos (PSB) já têm lotes de requerimentos prontos e atacarão
inicialmente o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, o
ex-diretor internacional Nestor Cerveró e o ex-diretor de Abastecimento
Paulo Roberto Costa, que está preso desde o mês passado pela Operação
Lava Jato da Polícia Federal.
A CPI passou a ser defendida pela oposição após o Estado revelar o voto
favorável de Dilma na operação de compra da refinaria de Pasadena, que
trouxe um prejuízo de US$ 530 milhões já reconhecido pela Petrobras.
Dilma argumentou que tal decisão foi tomada com base em um resumo
executivo "técnica e juridicamente falho" e com "informações
incompletas". Gabrielli era o presidente da companhia na época do
negócio; Cerveró, o responsável pelo parecer; e Paulo Roberto, o
representante da estatal em um conselho de acionistas com a sócia belga
Astra Oil. A oposição vai requerer quebras de sigilo também do doleiro
Alberto Youssef, preso na Lava Jato e apontado como responsável por
lavar recursos de negócios suspeitos na estatal.
Líderes da oposição na Câmara se reunirão nesta manhã para definir a
estratégia para a investigação sobre a Petrobras. Eles solicitaram
audiência com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para
cobrar dele a instalação da CPI mista - com a participação de senadores e
deputados.
Renan deve anunciar hoje uma decisão sobre a instalação da CPI. Seus
colegas de PMDB o pressionam para que não recorra a fim de tentar
reverter a decisão do Supremo de mandar instalar já a investigação
parlamentar.
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