domingo, 15 de novembro de 2015

Reportagem: Tensão ainda se sobrepõe à vontade de derrotar o medo em Paris

Reportagem: Tensão ainda se sobrepõe à vontade de derrotar o medo em Paris

Os momentos de pânico ocorridos este domingo ao início da noite em Paris ilustram o ambiente de tensão que se vive na capital francesa, apesar da determinação dos parisienses em não serem vencidos pelo medo do terrorismo.
Cerca de 48 horas depois dos mais sangrentos ataques terroristas na Europa nos últimos dez anos, que provocaram 132 mortos, segundo o mais recente balanço, uma ou várias pequenas explosões acidentais de origem ainda indeterminada - a polícia admite o rebentamento de petardos ou de uma bilha de gás numa esplanada - provocaram o pânico no centro de Paris, onde algumas centenas de pessoas prestavam homenagens às vítimas.

Sobretudo na Place de la République e no Boulevard Voltaire, que conduz ao Bataclan, a sala de espectáculos onde teve lugar a maior barbárie de sexta-feira, as pessoas corriam em pânico e procuravam abrigo, tal como lhes recomendavam os agentes da polícia, também eles em estado de alerta e particularmente tensos.

Em diversas ruas, agentes da polícia em uniforme ou apenas identificados por braçadeiras, e de arma em punho, ordenavam às pessoas para se recolherem e encontrarem refúgio, tendo bares, restaurantes e recepções de hotéis servido de "abrigo" de emergência.

O estado de alarme durou apenas alguns momentos, e minutos depois já algumas pessoas voltavam a concentrar-se, embora em menor número, nos diversos locais de homenagem que se criaram espontaneamente ao longo do fim-de-semana, e onde são depositadas flores, velas acesas e mensagens, como acontece junto às barreiras da polícia que cortam o acesso ao Bataclan ou junto ao Monumento à República, na praça com o mesmo nome.

Antes do alarme, e apesar de, em pleno "estado de emergência" - decretado pelo Eliseu -, estarem proibidas manifestações, por questões de segurança, centenas de pessoas concentravam-se na Praça da República, para homenagear as vítimas mas também para dizer, por palavras, mensagens, ou pela simples presença, que é preciso enfrentar o medo e o terror.

"Viemos visitar os locais dos ataques e agora estamos aqui. Pode ser delicado, pode ser perigoso mas não podemos parar. Mas não vamos ficar muito tempo, de facto. Tenho um bocado de receio", admitiu à Lusa um emigrante português, Daniel Santos, que levava a filha pela mão.

Com pequenos grupos a ensaiarem palavras de ordem, como "resistência, resistência", mas num cenário sobretudo sóbrio, de silêncio e comoção, havia também quem anunciasse em pequenas cartolinas a oferta de abraços ("free hugs"), uma iniciativa pela paz e harmonia, que muitos abraçavam literalmente, mas que minutos volvidos seria desfeita com as pessoas a correrem em pânico, com receio de serem o alvo seguinte do terrorismo em Paris, cidade já atingida duas vezes este ano.

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou no sábado, em comunicado, os atentados de sexta-feira em Paris, que causaram pelo menos 132 mortos, entre os quais dois portugueses.

De acordo com o último balanço feito pelos hospitais, 42 feridos continuavam hoje à tarde em vigilância intensiva em unidades de reanimação.

Os ataques, perpetrados por pelo menos sete terroristas, que morreram, ocorreram em vários locais da cidade, entre eles uma sala de espectáculos e o Stade de France, onde decorria um jogo de futebol entre as selecções de França e da Alemanha.

A França decretou o estado de emergência e restabeleceu o controlo de fronteiras na sequência daquilo que o presidente François Hollande classificou como "ataques terroristas sem precedentes no país".

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