Faixas e cartazes produzidos pela High Level foram retirados de vários bairros nesta segunda
Três dias depois de o Ministério Público Eleitoral (MPE) no Rio de Janeiro revelar um suposto esquema de desvio de dinheiro público na produção de material de propaganda eleitoral da coligação do PMDB, pela gráfica High Level Signs, a cidade amanheceu nesta segunda-feira (11/8) sem grande parte das faixas e cartazes dos candidatos que tiveram seus materiais produzidos na empresa de comunicação visual. Até sexta-feira passada (8), a propaganda eleitoral de alguns candidatos do PMDB e de partidos coligados avançava a passos largos em diversos bairros cariocas, com farto material gráfico instalado em muros, nas esquinas mais movimentadas e pontos estratégicos.
Propaganda eleitoral na Zona Sul do Rio de JaneiroPelas investigações do TRE, a gráfica mantém contratos com a prefeitura do Rio e o Governo Estadual, com indícios de participação em esquema de desvio de dinheiro público para elaboração da propaganda de candidatos governistas da coligação PMDB, PP, PSC, PSD e PTB, em especial do ex-chefe da Casa Civil do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o candidato a deputado federal Pedro Paulo (PMDB). Foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, farto material de campanha, oito computadores e documentos. No galpão da empresa foram encontrados faixas e cartazes do candidato à reeleição a governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), a deputado federal Pedro Paulo (PMDB), Leonardo Picciani (PMDB), Sávio Neves (PEN) e Rodrigo Bethlem (PMDB) e a deputado estadual Lucinha (PSDB), Carlos Osório (PMDB), Serginho da Pastelaria (PTdoB), André Lazaroni (PMDB) e Rafael Picciani (PMDB).
De acordo com a página da High Leve na internet,
a empresa foi criada em 1992, pelos irmãos Pedro e Cláudio
Mattos, campeões de voo livre, e tem como clientes o Governo Estadual e a
Prefeitura do Rio. Uma propaganda da empresa no canal do You Tube
mostra a sua produção para os Jogos PanAmericanos no Rio em 2007. O TRE
disse também que a High Level Signs presta serviços para empresas de
publicidade contratadas pelo governo estadual e municipal, para os
programas Lei Seca, Barreira Fiscal, além de cartazes, placas e adesivos
encontrados em vagões dos trens do Metrô e carros oficiais. O nome da
empresa consta nas publicações contratuais da Secretaria Estadual da
Casa Civil.Leia sobre o caso:
>> Procuradoria pode impedir candidatura de envolvidos em suposto desvio de verba
>> "Candidaturas devem ser impugnadas", diz Itagiba sobre denúncia do TRE
Crise política
O caso envolvendo a gráfica e o material de campanha de candidatos ligados à prefeitura e ao governo do Estado do Rio remete à crise política que vem se instalando no país nos últimos anos. A publicação originada do Fórum Nacional Brasil: o país das reformas, coordenada pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, faz as seguintes observações:
"Sobre a crise política, em si - problemas da maioria dos partidos: 'geleia geral' (falta de um mínimo de conteúdo programático), o troca-troca (falta de fidelidade partidária) e as 'legendas de aluguel', já citadas, que vendem seu apoio político em troca de vantagens ou mediante pagamento.
O 'faz de conta' dos gastos de campanha ('Partidos fazem de conta que prestam contas e a Justiça Eleitoral faz de conta que toma contas' - ex-Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE do Rio de Janeiro).

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