Sindicato de pescadores anuncia fim do bloqueio marítimo em Itajaí
Movimento decidiu acabar com greve após carta do Ministério da Pesca.
Protesto durou 30 horas e impediu saída de cruzeiro com 1,8 mil turistas.
Pescadores retiraram seus barcos e liberaram travessia do Rio Itajaí-Açu (Foto: Natan Messias/RBS TV)Os pescadores decidiram por fim ao movimento após receberem uma carta do governo federal que se comprometeu a incluir o setor pesqueiro regional no debate da portaria número 445 de 17 de dezembro de 2014, que restringe a captura de diversas espécies ameaçadas de extinção. Uma reunião com representantes do setor na região e dos ministérios do Meio Ambiente e da Pesca foi marcada para a próxima quinta-feira (8) em Brasília.
Carta anuncia reunião entre pescadores e ministérios(Foto: Reprodução/Sindipi)
Por causa do protesto, o transatlântico Empress, da Pullmantur, que chegou na cidade na manhã de segunda, ficou sem conseguir sair até a tarde desta terça – totalizando mais de 24 horas atracado no Píer Turístico da cidade.
Usuários ficaram ao menos 1h parados sobre os ferrys boats (Foto: Natan Messias/RBS TV)A carta que motivou o fim da paralisação foi assinado pelo Ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho. O ofício foi uma resposta a um documento encaminhado pelo Sindipi e Sintrapesca que deu condicionantes para a liberação do canal do porto de Itajaí. Barbalho afirma que o Ministério da Pesca e o Ministério do Meio Ambiente receberão cinco representantes do setor para discutir os itens da portaria, que proíbe a pesca de espécies como garoupa, namorado, cação, emplasto e arraia, considerados em extinção.
Entenda o caso
O bloqueio começou às 9h de segunda-feira, quando cerca de 220 barcos bloquearam o rio reivindicando a revogação da portaria do governo federal. Na noite do mesmo dia, a Justiça concedeu liminar exigindo a retirada das embarcações.
Barcos enfileirados para impedir a passagem do rio Itajaí-Açu (Foto: Marcello Sokal/Divulgação)Segundo a Capitania dos Portos, o movimento cresceu devido à ação independente de alguns pescadores. Diante da falta de um acordo, as autoridades marítimas da região chegaram a se reunir para definir uma estratégia de retirada dos barcos.
A primeira interdição total do rio Itajaí-Açu ocorreu das 9h às 9h30 desta terça. Após negociação com os manifestantes, a Marinha conseguiu a liberação para que duas das quatro embarcações utilizadas no ferry boat da região continuassem operando durante o dia. Às 14h30, os manifestantes voltaram atrás e realizaram novamente a interdição total dos ferry boats.
Pela manhã, PM foi chamada para garantir travessiade ferry boats (Foto: Luiz Souza/RBS TV)
Cruzeiro
Durante o protesto, os mais de 1,8 mil turistas e cerca de 600 tripulantes que estavam no transatlântico Empress não puderam deixar a embarcação. A alfândega não permitiu que eles saíssem do navio porque o embarque já havia sido realizado.
O cruzeiro é operado pela empresa Pullmantur e deveria ter deixado Santa Catarina às 16h30 de segunda-feira em direção ao Uruguai. O navio foi impedido de navegar por vários barcos de pesca que se posicionaram para formar uma barreira.
Segundo o Complexo Portuário de Itajaí, a saída do transatlântico está confirmada para as 18h15 desta terça-feira. Das seis embarcações que deveriam ter passado pelo porto nesta terça, três delas já foram reagendadas para a manhã desta quarta-feira (7).
Alfândega impediu passageiros do transatlântico bloqueado de saírem do navio (Foto: Luiz Souza/RBS TV)A Pullmantur afirmou que tinha funcionários durante toda a madrugada no píer tentando resolver a situação e que prestou todo o atendimento necessário aos passageiros. Disse ainda que "reavaliará o itinerário inicialmente proposto assim que tiver um posicionamento oficial quanto ao horário de liberação do navio".
Alguns passageiros ouvidos pelo G1 afirmaram que, apesar do problema, o clima era de tranquilidade dentro do navio. Segundo a operadora de turismo, como o navio estava pronto para seguir viagem pela Bacia do Prata, estava bem abastecido.
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