Quadrilha sonegou R$ 85 milhões em impostos nos últimos 2 anos no RS
Operação Dariba desarticulou organização criminosa que agia no estado. Treze pessoas foram presas nesta sexta e outras duas são procuradas.
Do G1 RS
A quadrilha de empresários e produtores rurais desarticulada nesta
sexta-feira (5) em uma operação conjunta da Delegacia Fazendária da
Polícia Civil e da Receita Estadual sonegou R$ 85 milhões em impostos
nos últimos dois anos no Rio Grande do Sul. O enriquecimento ilícito e
milionário possibilitou uma vida de luxo ao grupo criminoso, que teve 13
dos seus integrantes presos. Outras duas pessoas ainda estão sendo
procuradas.
Foram apreendidos pelo menos 30 carros de luxo, motocicletas e até uma
moto aquática. Os mandados de prisão foram cumpridos em fazendas
luxuosas e casas no litoral gaúcho. Os mentores do esquema seriam
empresários, donos de frigoríficos, que montaram um esquema para sonegar
impostos na compra e venda de carnes. Contadores também participavam da
fraude. Pessoas desempregadas eram usadas como “laranjas”.
Operação contra fraude fiscal cumpriu mandados
em fazendas e casas no litoral gaúcho
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
“Nós temos frigoríficos reais, que existem, vendem a carne. Em torno de
oito a 12 frigoríficos investigados se uniram e montaram, através de um
terceiro empresário, empresas de fachada para a compra da carne em
outro estado. Então, a carne entrava aqui no estado e, ao entrar,
deveria recolher tributo. Eles montaram uma fraude para que essas
empresas de fachada recolhessem falsamente esse tributo, que, na
verdade, não existem, e informavam ao Fisco que haviam recolhido”,
detalha o delegado Joebert Pinto Nunes.
A fraude foi identificada pela Receita Estadual, que avisou a Polícia
Civil. A investigação durou nove meses. Cerca de 460 policiais e 40
auditores fiscais participaram da Operação Dariba, que significa tributo
em árabe. Os nomes dos suspeitos e dos frigoríficos não foram
divulgados, mas a maioria dos estabelecimentos, segundo a polícia,
funciona na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Além da fraude, as investigações também apontam para um outro crime:
contra a saúde publica. Segundo a polícia, toneladas de carnes foram
armazenadas de forma irregular. E este produto ainda pode estar no
mercado gaúcho. Em uma escuta telefônica, o dono de um supermercado
reclama da qualidade da carne entregue por um dos frigoríficos
investigados.
“Não pode acontecer. Não pode. Eu não posso ter prejuízo, entendeu?”,
reclama. “Ah, só que é mais leve. Não é tanto”, tenta justificar um
homem. “Não, não é leve. É muito passado. Está passado”, diz o dono do
supermercado.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Produção de veículos cai 9,7% em novembro
Segundo a Anfavea, foram
produzidas 264,8 mil unidades no mês passado. No acumulado do ano, o
volume produzido tem queda de 15,5%
Produção de veículos acumula retração de 15,5% nos onze primeiros meses do ano
(Nacho Doce/Reuters/VEJA)
A produção de veículos no Brasil caiu 9,7% em novembro na
comparação com outubro, para 264.830 unidades, informou
a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
nesta quinta-feira. Na comparação com novembro de 2013, a produção
também recuou 9,7%. No acumulado do ano, o volume produzido somou 2,94
milhões de unidades, queda de 15,5% sobre o mesmo período do ano
passado. Considerando apenas automóveis e comerciais leves, a produção em
novembro chegou a 251.208 unidades, baixa de 9,7% na comparação com
outubro e recuo de 8,7% ante novembro de 2013. Já as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus
atingiram 294.651 unidades em novembro, retração de 4% na comparação com
outubro e recuo de 2,7% ante novembro de 2013. No acumulado dos onze
primeiros meses de 2014, os emplacamentos chegaram a 3.127.984 unidades,
baixa de 8,4% sobre igual período do ano passado. Leia mais: Produção de veículos sobe 13,7% em setembro, mas cai em comparação com 2013 Montadoras anunciam nova onda de demissões e férias coletivas Bancos reduzem crédito a veículos no primeiro trimestre Em relação às exportações, o resultado somou 707,6 milhões de dólares
em novembro, queda de 2,6% sobre outubro e tombo de 34,2% no
comparativo anual. De janeiro a novembro, as exportações somam 8,18
bilhões de dólares, queda de 32,2% sobre o período de janeiro a novembro
de 2013. O setor terminou novembro com 146.165 postos de trabalho ocupados,
queda de 0,6% sobre outubro e baixa de 7,9% ante o mesmo mês de 2013. (Com Estadão Conteúdo e Reuters)
Oposição pressiona, mas Congresso aprova alteração da meta fiscal de 2014
Sessão durou mais de 17 horas e teve momentos de tensão
Após mais de
17 horas de discussão, e mesmo sob intensos protestos e duras críticas
da oposição, a base governista conseguiu aprovar, no Plenário do
Congresso, na madrugada desta quinta-feira (4), o projeto de lei do
Congresso (PLN) 36/2014, que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) em vigor e desobriga o governo de cumprir a meta de superávit
primário deste ano. A decisão, entretanto, ressalva quatro destaques apresentados pelos parlamentares oposicionistas. O
clima tenso foi o mesmo verificado nas duas últimas semanas, tanto na
Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO)
quanto no próprio Congresso, com a oposição resistindo à mudança e
acusando o governo de crime de responsabilidade fiscal por não conseguir
economizar o que ficou estabelecido na LDO 2014. Durante
toda a quarta-feira, algumas dezenas de manifestantes protestaram — com
gritos, palavras de ordem e até insultos dirigidos a alguns
parlamentares — contra a aprovação do projeto e o governo. Todos foram
impedidos de entrar no Plenário da Câmara e nas galerias para acompanhar a votação. Até o cantor Lobão participou das manifestações. O autor de Vida Bandida e Essa Noite Não,
entre outros sucessos dos anos 1980, disse à imprensa que vai entrar
com um mandado de segurança no STF pedindo a anulação da sessão do
Congresso. Também criticou a proibição da entrada de manifestantes no
Plenário. — Estão rasgando a Constituição não só ao formular o PLN
36, mas também ao impedir o povo brasileiro de entrar. Estão tirando
nosso direito de ir e vir, estão partindo da premissa de que nós somos
arruaceiros, golpistas e baderneiros e isso nós não somos. Nós queremos
entrar no Congresso porque o Congresso é nosso — afirmou Lobão. Sessão do Congresso para votar alteração da meta fiscal durou mais de 17 horasNa
prática, o PLN 36/2014 retira da LDO o teto de abatimento da meta de
superávit, inicialmente estabelecida em R$ 116,1 bilhões. A regra
original previa que o governo poderia abater até R$ 67 bilhões da meta,
com base nos investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
e das desonerações tributárias destinadas a estimular setores da
produção, principalmente o automobilístico e o de eletrodomésticos. Ao
não estabelecer um teto, o projeto abre a possibilidade de o governo
abater da meta fiscal até o total do PAC mais as desonerações, montante
que já passou de R$ 130 bilhões. Agora, o Executivo pode manejar o
superávit e, mesmo que feche as contas com déficit primário, não terá
descumprido a meta definida pela LDO em vigor (Lei 12.919/13). Na
semana passada, o governo comunicou que pretende obter superávit
primário de pelo menos R$ 10,1 bilhões em 2014. A estimativa consta do
Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, publicado pelo
Ministério do Planejamento a cada dois meses com parâmetros para a
execução do Orçamento da União. A última edição foi divulgada em 21 de
novembro. Até setembro, o resultado das contas públicas do governo
registrou déficit de R$ 20,4 bilhões - o pior resultado mensal desde
1997. No acumulado de janeiro a setembro, o resultado é deficitário em
R$ 15,7 bilhões. O texto aprovado nesta quinta é o mesmo que foi
apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) ao relatar a matéria na
CMO. Ele substituiu a expressão “meta de superávit”, da proposta
original, por “meta de resultado”, uma vez que não se sabe se o governo
fechará o ano com déficit ou superávit primário, e rejeitou as 80
emendas apresentadas à proposição. Em seu parecer, Jucá afirma que
a meta de resultado primário “não é imutável ou rígida”. Segundo ele,
fixar ou alterar o número “tem o propósito básico de trazer ao
conhecimento e ao debate público as consequências de todo o conjunto de
decisões adotadas no campo econômico e fora dele”. O relator diz ainda
que ajustar a meta evita também problemas maiores, como o
comprometimento dos programas sociais. Jucá ressalta ainda que a
alteração da meta fiscal é necessária devido à presente conjuntura
global e à arrecadação prevista, que não se configurou. Ele também
ressalta que a meta de resultado primário “não é imutável ou rígida”. E
observa que fixar ou alterar o número “tem o propósito básico de trazer
ao conhecimento e ao debate público as consequências de todo o conjunto
de decisões adotadas no campo econômico e fora dele”. O relator diz
ainda que ajustar a meta evita também problemas maiores, como o
comprometimento dos programas sociais. A mudança na meta fiscal de
2014 também foi defendida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros,
que conduziu os trabalhos de votação em Plenário. Ele disse que a
alteração é necessária para o governo manter as contas em dia. —
Se não alterarmos a LDO, não vamos ter dinheiro não só para as emendas
parlamentares, não vamos ter dinheiro para muita coisa e teremos de
fazer, em dois meses, uma economia que não foi feita em dez — afirmou. Em resposta, o senador Magno Malta (PR-ES), contrário ao projeto, disparou: — Quem pariu Mateus, que o embale. Renan
lembrou ainda que a meta fiscal foi alterada em 2001, durante o mandato
de Fernando Henrique Cardoso. Por sua vez, o deputado Sílvio Costa
(PSC-PE) defendeu a redução da meta de superávit como medida temporária,
e lembrou que apenas em desonerações a setores econômicos foram R$ 76
bilhões em impostos que deixaram de ser recolhidos. — Em sua
maioria são médias e pequenas empresas beneficiadas, e o PAC, que já
consta da redução da meta de superávit teve incremento de 47% nesse ano —
afirmou. O deputado Vicentinho (PT-SP) lembrou que os estados e
os municípios vão precisar fazer metas menores de superávit em 2014, e
não estão de acordo com a oposição dos deputados que querem a todo custo
ignorar a crise por que passa o mundo. — Dos 20 maiores países do
mundo, 17 vão adotar déficit em 2014, e nosso governo vai fazer
superávit de R$ 10 bilhões. Será menor do que o programado, mas ainda é
uma demonstração de responsabilidade — afirmou. Em seguida, o
deputado Paulo Teixeira (PT-SP) lembrou que 15 estados não cumpriram
suas metas de superávit em 2013. Ele afirmou que Minas Gerais e São
Paulo, estados governados pelo PSDB, alteraram suas metas, assim como o
governo federal, para que uma meta menor fosse cumprida. — O próprio presidente Fernando Henrique reduziu a meta em 2001, e não vimos essa reclamação toda — acrescentou. Os
deputados Pauderney Avelino (DEM-AM) e Marcus Pestana (PSDB-MG)
criticaram a política econômica atual, que resultou na necessidade de
mudar a meta de superávit. — Em sua primeira entrevista, o novo ministro da economia já admitiu que isso não pode mais ser feito — disse Pestana. Para
o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) é
preciso rever “essa política de trocas com o governo”. — Oficializar essa política que não é de forma alguma a boa política” — disse Alencar. Defensor
do projeto, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a oposição
está “flertando com o golpismo”, porque pretende usar a meta como
justificativa de crime de responsabilidade para provocar um impeachment. Já
o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse
que a diminuição do superávit é questão de política econômica. Segundo
ele, os gastos tiveram o objetivo de manter a política de
empregabilidade. Fontana destacou ainda que o então presidente Fernando
Henrique Cardoso também mudou o cálculo da meta. — Quando foram governo, também mudaram a LDO e não fizeram todo esse drama que aqui fazem — afirmou. Antes da votação do superávit, Congresso mantém vetos presidenciais Antes
da votação da alteração da meta fiscal, a Câmara dos Deputados manteve
os dois vetos (28/14 e 29/14) da presidente Dilma Rousseff a projetos de
lei com origem na Câmara (PL 6096/09 e 5005/09). O resultado foi
divulgado após mais de meia hora de apuração oral dos votos. Como o
resultado na Câmara manteve os vetos, os votos dos senadores não
precisaram ser apurados porque, ainda que expressassem a derrubada de
algum deles, isso somente pode ocorrer se ambas as Casas decidirem
assim. O PL 6096/09, da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA),
propunha a mudança do nome do Instituto Federal Baiano para Instituto
Federal Dois de Julho. O texto foi vetado totalmente pelo governo
com o argumento de que a lei de criação desse e de outros institutos
federais de ensino (11.892/08) atribuiu-lhes atuação regionalizada,
devendo seu nome referir-se à sua localização. Foram 257 votos a favor
do veto e 54 contra. O segundo projeto cujo veto foi mantido é o
PL 5005/09, do deputado Felipe Maia (DEM-RN), que propunha a mudança do
nome da barragem Boqueirão de Parelhas, em município de mesmo nome no
Rio Grande do Norte, para Dr. Ulisses Bezerra Potiguar. Segundo o
Executivo, a proposta é inconstitucional porque a União não tem
competência legislativa para isso, pois o texto pretende atribuir nome a
bem público do estado do Rio Grande do Norte. Foram 257 votos a favor
do veto e 56 contra.
Executivos dizem que propinas na Petrobras chegaram R$ 81 milhões
Por
Wilson Lima- iG São Paulo
Depoimentos
tomados pelos procuradores apontam que somente a Toyo Setal chegou a
desembolsar R$ 60 milhões por obra de refinaria no Paraná
Os
dois diretores da Toyo Setal, Júlio Camargo e Augusto Ribeiro Neto,
afirmam, em depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) no final de
outubro, que teriam sido obrigados a desembolsar pelo menos R$ 81
milhões para conseguir ou manterem contratos de prestação de serviços
com a Petrobras em quatro grandes obras da estatal.
Esses depoimentos foram prestados no âmbito da Operação Lava Jato,
ocorridos no final de outubro. Júlio Camargo, por exemplo, disse pagou
propina da ordem de R$ 6 milhões por contratos obtidos nas obras da
refinaria de São José dos Campos (SP); outros R$ 3 milhões por obras de
construção do gasoduto Cabuínas – Vitória e mais R$ 12 milhões por obras
na Refinaria do Paraná (REPAR), localizada em Araucária (PR). Já
Augusto Ribeiro Neto revelou pagamentos entre R$ 50 milhões e R$ 60
milhões para a obtenção de contratos também na REPAR.
Nos termos
dos depoimentos, os executivos declaram que o pagamento de propina foi
feito mediante transferências bancárias em contas indicadas por Pedro
Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras ou Renato Duque,
ex-diretor de Serviços da companhia. A maioria dos recursos foi
encaminhados para constas no exterior, conforme a delação dos
executivos. Eles também afirmam que houve pagamento de propina por obras
realizadas no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, mas nos
depoimentos eles não detalharam quanto foi repassado por essas obras.
Durante
as investigações, os executivos têm afirmado que além do depósito em
contas no exterior, esses recursos eram encaminhados em dinheiro vivo ou
encaminhados para doações de campanhas eleitorais. Augusto Neto afirmou
que parte da propina era destinada a financiar campanhas eleitorais do
PT. Camargo tem dito que efetuou depósito a 11 partidos, mas nenhum a
título de pagamento de propina. Entre os quais, o PSDB.
Uma outra
forma de pagamento de propina teria sido a contratação de empresas de
fachada controladas por Alberto Youssef, doleiro tido como líder da
organização criminosa desarticulada pela Lava Jato. Esses pagamentos
teriam ocorrido entre 2008 e 2011 e muitos deles negociados por José
Janene, ex-líder do PP e réu do mensalão que faleceu em 2010. Após a
morte de Janene, o esquema continuou sendo operado por Alberto Youssef.
Janene
é tido não somente como o homem que articulava o pagamento de propina,
ao lado do ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa,
como a pessoa que cobrava o pagamento e fazia ameaças às empresas que
tinham algum tipo de resistência ao esquema.
O governador do Pará, Simão Jatene, encaminhou
ontem (3) o projeto de lei que institui a Taxa de Controle,
Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Exploração e
Aproveitamento de Recursos Hídricos (TFRH) no Estado. Atualmente, o
Estado arrecada R$ 300 milhões com a taxa de fiscalização mineral.
O
projeto de lei define como contribuinte a pessoa física ou jurídica que
utilize o recurso hídrico como insumo no processo produtivo ou que
utilize a água com a finalidade de exploração ou aproveitamento
econômico, incluindo mineradoras e hidrelétricas.
O projeto foi encaminhado em mensagem à presidência
da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). A proposta visa
também o cadastro das empresas que utilizam os recursos hídricos no Pará
e isenta da cobrança da taxa a utilização em pequeno volume e para
abastecimento residencial.
Segundo o governador, a ideia é garantir ao Estado o
poder de fiscalizar e controlar o uso de um recurso natural que pertence
aos paraenses, à exemplo do que foi feito no atual mandato com a Taxa
Mineral, que rende aos cofres do Estado cerca de R$ 300 milhões ao ano,
reforçando o caixa para investimentos em serviços e obras para a
população.
Ação semelhante foi realizada pelo Estado do Paraná
no final do ano passado, quando o governo estadual decidiu começar a
cobrar pelo uso das águas dos rios da Bacia do Alto Iguaçu e Afluentes
do Alto Ribeira com finalidades comerciais, em processos de produção e
operação. O Paraná foi o primeiro estado da região Sul a instituir a
cobrança pelo uso da água para esses grandes consumidores.
A cobrança e os valores pela utilização de recursos
hídricos no Estado é determinada pelos comitês das bacias hidrográficas.
Como cada bacia possui seu comitê, a cobrança é realizada pela captação
de metro cúbico de água por segundo e fiscalizada pela Agência Nacional
de Águas (ANA).
MP combate nova fraude no leite com adição de água e sal no RS
Sétima fase da Operação Leite Compensado foi deflagrada nesta quarta. São cumpridos mandados de prisão e busca em seis municípios gaúchos.
Do G1 RS
MP investiga envolvimento de empresários na nova fraude (Foto: Marjuliê Martini/Divulgação)
O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quarta-feira
(3) a sétima etapa da Operação Leite Compensado após constatar uma nova
fraude no leite produzido e distribuído na Região Norte do estado. Desta
vez, o esquema consiste em adicionar água e sal no produto. Estão sendo
cumpridos 17 mandados de prisão preventiva e 17de busca e apreensão em
seis municípios gaúchos. Entre os envolvidos estão produtores,
transportadores, funcionários e donos de dois postos de resfriamento da
região. O MP ainda não divulgou o número de pessoas presas.
As amostras foram coletadas de caminhões que transportavam o leite e em
tanques das empresas Cotrel, de Erechim, e Rempel, de Jacutinga. Também
ocorrem buscas em Gaurama, Maximiliano de Almeida, Machadinho e
Viadutos. A maior parte é distribuída no estado, mas outra parte vai
para Santa Catarina. O MP catarinense acompanha a operação.
Caminhões de transportadoras foram apreendidos
(Foto: Marjuliê Martini/Divulgação)
De acordo com o MP, a fraude consiste na adição de água no leite por
parte de alguns produtores de leite nas cidades de Viadutos, Machadinho e
Maximiliano de Almeida. Conforme as investigações, os presos, tanto os
produtores quanto os motoristas, adicionavam sal ao leite com água para
ampliar o ponto de congelamento do alimento e mascarar a fraude
econômica. Há 62 laudos do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa) apontando adição de água no leite coletado.
Segundo as investigações, a regra era a adição de água na proporção de
10% do volume. No entanto, alguns produtores chegaram a adicionar 200
litros de água em 500 litros de leite (produção média diária das
propriedades), uma adulteração de até 40%. O valor resultante da fraude
era dividido mensalmente entre produtores, motoristas e empresários.
O leite era coletado pela empresa Transportes Rafinha, dos sócios
Walter Roberto Krukowski e Paulo César Bernstein. Eles trabalhavam,
também, como motoristas de caminhões refrigeradores, assim como os
funcionários da empresa Divonir Longo Rambo, Sidmar Ribeiro Rodrigues,
Indionei Eliezer de Souza, Genoir Roque Hojnowski, Paulo César Ruhmke e
Matheus Alberto Burggraf.
Depois de adulterado, o leite era entregue em dois postos de
resfriamento: Rempel & Coghetto Ltda, em Jacutinga, e Cotrel
(Cooperativa Tritícola Erechim Ltda), em Erechim. Faziam parte do
esquema o proprietário do posto em Jacutinga, Amauri Rempel e as
laboratoristas Andresa Segatt e Elizete Marli Bessegato, bem como os
sócios da Cotrel, Arino Adalberto Adami e Angelo Antonio Paraboni Filho.
Os responsáveis pelas empresas tiveram as prisões preventivas
decretadas por receberem o produto adulterado e não informarem ao Mapa
da fraude. As laboratoristas eram as encarregadas de fazer alterações ou
omitir dados nas planilhas de análises de leite para o controle
posterior do Mapa.
Promotor Mauro Rockenbach (ao centro) comanda ofensiva (Foto: Marjuliê Martini/Divulgação)
2014 pode ser o ano mais quente desde 1850, diz agência da ONU
Medição prévia apontou recordes de temperatura entre janeiro e outubro. Informação preliminar foi divulgada nesta quarta (3) na COP 20, em Lima.
Eduardo CarvalhoDo G1, em Lima
O ano de 2014 caminha para ser um dos mais quentes já registrados,
senão o mais quente, caso as temperaturas permaneçam acima da média até o
fim de dezembro. A informação preliminar foi divulgada pela Organização
Meteorológica Mundial (OMM) nesta quarta-feira (3), na Conferência
Climática das Nações Unidas, a COP 20, em Lima.
Na prévia do relatório “Status Global do Clima 2014”, a agência da ONU
apontou que de janeiro a outubro deste ano a temperatura média da
superfície da Terra e dos oceanos foi de 14,57 graus centígrados, 0,57ºC
acima da média entre 1961 e 1990, período usado como referência pela
OMM.
O recorde até então é de 0,55 grau centígrado, registrado em 2005 e
2010. Se as temperaturas de novembro e dezembro seguirem essa tendência,
2014 passará a ser considerado o ano mais quente desde 1850, quando
esse tipo de medição foi iniciado.
A confirmação só deve acontecer no primeiro trimestre de 2015. Mas para
a OMM, já é possível afirmar que dos 15 anos mais quentes da história,
14 foram no século 21.
“O que vimos neste ano é consistente com o que esperamos de um clima em
mudança”, disse Michel Jarraud, secretário-executivo da OMM, em
comunicado divulgado pela instituição. “As emissões recordes de
gases-estufa associadas às concentrações de gases na atmosfera estão
levando o planeta para um futuro incerto e inóspito”, complementou.
A análise é feita a partir de resultados obtidos pela Agência Americana
Oceânica e Atmosférica, a NOAA, o Met Office, da Universidade de East
Anglia, no Reino Unido, e a agência espacial americana, a Nasa.
Impactos no Brasil
O documento da OMM cita a seca na região Sudeste do Brasil como uma das
anomalias que ocorreram em consequência da temperatura global maior.
De acordo com o texto, a seca severa em áreas do leste do país e na
região central “causou um déficit hídrico grave que se estende por mais
de dois anos. A cidade de São Paulo tem sido particularmente afetada com
a grave escassez de água e o baixo nível do reservatório Cantareira”,
disse o informe.
Segundo a meteorologia, a seca que atingiu o Sudeste brasileiro neste ano foi a pior em 80 anos. Somente no estado de São Paulo, a estiagem deverá causar a maior perda em 50 anos na agricultura.
A OMM afirma ainda que as temperaturas na América do Sul ficaram acima
da média em grande parte do continente, principalmente no Sul do Brasil e
no Norte da Argentina.
Tempestades e emissões
O levantamento também aponta que até 13 de novembro ocorreram 72
tempestades tropicais no mundo, total inferior à média de 89 tempestades
anuais entre 1981 e 2010. Sobre as emissões de CO2, principal gás de
efeito estufa, a OMM estima que os níveis atmosféricos estão em 396 ppm
(partes por milhão). Uma maior quantidade desse e outros gases causa a
elevação da temperatura no planeta, causando desarranjos no clima.
O documento cita que em várias partes do globo a superfície dos mares
ficou aquecida, sem a ocorrência do fenômeno climático El Niño,
conhecido por aumentar a temperatura na região do Pacífico e provocar
distúrbios no clima em várias partes do planeta.
Sobre o degelo no Ártico, este ano, segundo a OMM, a extensão anual de
gelo no Oceano Ártico foi a sexta menor já medida, totalizando 5,02
milhões de km², em 17 de setembro.
Congresso faz sessão com galerias fechadas para votar mudança na meta fiscal
Enquanto
deputados e senadores tentam consenso no plenário sobre a continuidade
ou encerramento da sessão do Congresso iniciada por volta das 10h e
convocada para a votação de dois vetos e da PLN 36/2014, as galerias permanecem fechadas e, do lado de fora do Congresso, manifestantes tentam convencer os seguranças a permitir a entrada.
O PLN 36/2014 altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para retirar a meta de superávit do governo para este ano.
>> Tumulto nas galerias adia votação de mudança na meta fiscal Sessão do Congresso teve tumulto nesta terça-feiraDe
acordo com a Polícia Legislativa, a decisão de barrar a entrada de
manifestantes é do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL),
que ontem (2) à noite já havia tentado esvaziar as galerias para impedir
os protestos. Parlamentares da oposição reagiram e se juntaram aos
manifestantes e a confusão levou Calheiros a suspender a sessão,
convocando a reabertura da votação para esta manhã.
Na
chapelaria, entrada principal do Legislativa, cerca de 50 pessoas
levantam cartazes e bandeiras, gritando “queremos entrar” e “abaixo a
ditadura”. Os manifestantes começaram há pouco a fazer
um apitaço. Policiais militares estão posicionados na entrada da Câmara
dos Deputados e do Senado para reforçar a segurança da Polícia
Legislativa.
O deputado Simplício Araújo (SDD-
MA) deixou a sessão para tentar tranquilizar os manifestantes, avisando
sobre a possibilidade de a votação do projeto ser adiada para a próxima
semana. As pessoas, no entanto, mantiveram os gritos de “essa casa
é nossa” e “queremos entrar”. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) passou
pelo grupo de protesto e foi saudado ao entrar no Congresso.
Os irmãos Luiz Antônio Moreira Santiago, 28, e Clebson
Moreira Santiago, 31 anos, suspeitos de terem praticado diversos assaltos na
zona rural do município de Tomé-Açu, nordeste do Pará, foram espancados e
mortos por populares. Os corpos foram encontrados com perfurações de faca e com
sinais de pauladas e pedradas
Na manhã de sábado dia 29, policiais militares do Grupamento
Tático Operacional (GTO) foram acionados para capturar dois suspeitos de terem
praticado diversos assaltos aos arredores da Vila Água Branca, entre os
municípios de Tomé-Açu e Ipixuna do Pará.
A dupla teria cometido um latrocínio (roubo seguido de morte)
dentro de uma fazenda situada no ramal das Cobras, onde foi ceifada a vida de
um trabalhador, identificado por Ismael. A vítima teve sua motocicleta e
pertences pessoais roubados.
Os autores do bárbaro crime teriam sido dois irmãos que no
passado teriam praticado outro latrocínio em outra fazenda. Os criminosos
utilizavam facas, foices e pedaços de madeira para atacar suas vítimas.
A missão da força Tática se encerrou na manhã de domingo dia
30, quando a equipe policial encontrou os corpos dos possíveis latrocinas
jogados em uma área de mata. Os irmãos Luiz Antônio Moreira Santiago e Clebson
Moreira Santiago foram agarrados por populares e mortos a terçadadas, facadas,
pauladas e a pedradas. A cabeça de um deles foi arrancada e colocada ao lado do
corpo.
A Polícia Civil deverá abrir inquérito para apurar o caso e
tentar identificar os "Justiceiros".
OCDE: corrupção transnacional afeta todos os países, incluindo desenvolvidos
Quase
metade dos casos de corrupção de agentes públicos cometidos durante
transações comerciais internacionais envolve agentes de países
desenvolvidos, revela um relatório sobre a corrupção transnacional
divulgado nesta terça-feira pela OCDE.
Ao contrário das ideias
pré-concebidas, "quase um caso a cada dois casos de corrupção
transnacional concluído implica agentes públicos de países cujo índice
de desenvolvimento humano é elevado", ressalta a Organização de
Cooperação e Desenvolvimento Econômico na conclusão de sua pesquisa.
Entre
os fatores que explicam este fenômeno, a OCDE observa que os países que
possuem um nível de desenvolvimento humano elevado podem estar "aptos a
cooperar entre si para detectar casos de corrupção, compilá-los e
comunicá-los às autoridades repressivas de outros países".
Podem
ainda "estar mais dispostos a compartilhar informações, tendo menos a
perder se um investidor do primeiro plano se retira do mercado".
Para
desenhar um retrato da corrupção, a organização se baseou em
informações reunidas de 427 casos que foram julgados pela justiça desde
1999, ano da entrada em vigor da Convenção Anti-Corrupção da OCDE.
Os
subornos são os mais frequentemente prometidos, oferecidos ou
concedidos a funcionários de empresas públicas (27%) ou a agentes
alfandegários (11%). Na maioria dos casos, eles são pagos para vencer
licitações ou contratos com o setor público (57%) e, em segundo lugar,
para obter procedimentos de desembaraço (12%).
Em média, os subornos valem cerca de 10,9% do valor total da transação e 34,5% dos lucros das negociações.
Dois
terços dos casos ocorrem em quatro setores: mineração (19%), construção
(15%), transporte e armazenagem (15%) e setor de informação e
comunicação (10%).
Em 41% dos casos, são os funcionários que
ocupam cargos de direção que fazem ou autorizam o pagamento do suborno,
enquanto que o presidente está envolvido em 12% dos casos.
Entre
as recomendações formuladas para melhorar a luta contra a corrupção, a
OCDE recomenda "tornar público, na medida do possível, a maioria das
informações sobre estes casos".
Dado
que o tempo necessário para concluir os casos de corrupção, de 5 a 10
anos após a prática dos atos em metade dos casos, também pede que "as
autoridades de investigação competentes tenham todo o tempo de que
precisam, inclusive por meio de disposições para suspender e
interromper, se for o caso, o prazo de prescrição".
Foi o primeiro caso em que o Supremo Tribunal
Federal negou a progressão de regime a um condenado na Ação Penal 470;
outros sete já conseguiram cumprir a pena em casa; o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, se posicionou contra o benefício; como João
Paulo Cunha foi condenado por peculato, só pode ir para o regime
domiciliar se comprovar que devolveu o dinheiro público que o Supremo
entendeu ter sido desviado
2 de Dezembro de 2014 às 11:25
Brasília 247 – O ministro Luís Roberto Barroso, do
Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de prisão domiciliar
apresentado pela defesa de João Paulo Cunha. O ex-deputado foi condenado
pelos crimes de peculato e corrupção passiva na Ação Penal 470, o
chamado 'mensalão'.
Este foi o primeiro caso em que o condenado teve pedido de progressão
de regime negado pelo Supremo. A diferença é que, como sofreu
condenação por peculato, Cunha só poderia ir para casa se comprovasse a
devolução do dinheiro desviado – de acordo com sua condenação, R$
536.440,55.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também se manifestou
contra o benefício apenas neste caso. Outros sete condenados na AP 470
já foram liberados para deixar o presídio, depois de ter cumprido um
sexto da pena sob regime semiaberto.
Jovens com HIV relatam avanços na qualidade de vida e destacam prevenção
Ao 24 anos, Patrícia
Vieira* já superou mais obstáculos do que muitas pessoas com o dobro de
sua idade. Diagnosticada como soropositiva aos 2 anos, perdeu a mãe e o
pai para a aids ainda pequena. Aos 8 anos, chegou a tomar 24
comprimidos antirretrovirais por dia na tentativa de conter a doença.
Hoje, a recepcionista coleciona vitórias: “Consegui terminar o ensino
médio, me casei, tive uma filha que, assim como meu marido, não é
soropositiva e estou me formando em administração este ano”.
Patrícia
nunca soube ao certo como o HIV chegou até sua família. O pai descobriu
ser soropositivo em 1992 e morreu 30 dias após o diagnóstico. A mãe foi
diagnosticada logo em seguida e morreu quatro anos depois. Criada pelos
avós paternos, ela lembra que o retrato de quem vive com HIV hoje é bem
diferente do de antigamente. Nos anos 90, a avó precisava manipular os
comprimidos para que virassem xarope, mas o procedimento era caro.
“À
medida que o tratamento antirretroviral foi melhorando, foi ficando
mais fácil. Naquela época, minha avó esperava que nós duas, eu e minha
irmã, fôssemos as próximas a morrer. Passamos a viver um ano de cada vez
e chegamos até aqui”, contou. Teste para detectar o vírus HIV
Apesar
de ter uma vida normal, Patrícia não pode abrir mão dos remédios. Para
outros jovens, ela recomenda que busquem informação de qualidade e
procurem se prevenir por meio do uso da camisinha. Ela também alerta
para a importância do teste rápido para detecção do HIV, uma vez que a
doença não escolhe suas vítimas.
Eduardo Santos*, 24 anos, não
acreditava que pudesse estar entre os novos casos de infecção por HIV no
país. Em 2012, entretanto, recebeu o diagnóstico. “A gente sempre pensa
que pode confiar no parceiro, que nunca vai pegar. Fiz o exame por
acaso, porque tinha passado muito mal e o médico me pediu que fizesse.
Não suspeitava de jeito nenhum. A primeira sensação que tive foi de
medo. Achei que ia morrer”, lembra.
O jovem garante que fazia
check-ups todos os anos e que praticava sexo seguro. “Mas, quando você
está namorando, a camisinha vai começando a ficar de lado. Na década de
80, existia aquele medo da morte pela aids. As pessoas se preocupavam
mais. Hoje em dia, não. As pessoas estão mais descuidadas. Agora sei que
não dá pra abrir mão da camisinha.”
Dois anos após o diagnóstico,
Eduardo ainda não voltou a namorar. A família do rapaz também não sabe
que ele é soropositivo. “Querendo ou não, você conta pra um que conta
pra outro e todos acabam sabendo. É uma questão delicada. E eu, por ser
homossexual, acham que foi promiscuidade, que transo com todo mundo. E
eu só transei com uma pessoa que tinha o vírus”.
Apesar da pouca
idade, o estudante Bruno Rodrigues*, 20 anos, também tem muita história
pra contar. Diagnosticado como soropositivo aos 5 anos, perdeu o contato
com o pai pouco depois que a mãe descobriu ter sido infectada por ele.
“Não tem como falar sobre isso para uma criança. Até os 12 anos, eu só
sabia que a aids matava”, lembra. “Aos 16 anos, tive uma namorada e
terminei o relacionamento por causa do HIV. Não contei a ela. Afinal,
ela não ia querer namorar uma pessoa assim”.
Outro baque foi o
alistamento para o Exército, barrado em razão do diagnóstico de
soropositivo. “Um sargento me chamou e me disse que não podia. Fiquei
chateado porque era um dos meus sonhos. Chorei muito. Tinha só 18 anos”.
Com a ajuda de um psicólogo, as ideias foram clareando. Hoje, Bruno
namora, sai com os amigos e vai se formar em farmácia no ano que vem.
“A
impressão que tenho é que a maioria dos jovens não tem boca, não vai
atrás dos seus direitos”, disse. “Outro problema é que, como a doença
perdeu um pouco o foco, ocorreu um relaxamento. E não é só entre jovens
que não têm HIV. Entre os que têm também. Conheço muita gente que diz
que fez sexo sem camisinha e não contou pra pessoa. Não podemos baixar a
guarda”, completou.
A orientação de Bruno é que os jovens com
diagnóstico recente procurem organizações não governamentais em seus
estados e municípios, como a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV no
Brasil. “Sei que o HIV fecha muitas portas, mas as portas que se fecham é
a gente mesmo que acaba trancando e dá pra abrir de novo”, concluiu.
A
diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids)
no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, reforçou a importância da
prevenção à aids entre os jovens por meio de campanhas que aprofundem o
tema e que trabalhem a discriminação. “As pessoas estão cada vez menos
confortáveis em conversar sobre a sua sexualidade e isso pode gerar
grande consequências”. *Os nomes dos personagens são fictícios
Quando esteve no poder, Tabaré Vázquez comprou uma guerra com a Philip
Morris ao proibir o fumo nos locais públicos e a alterar a imagem dos
maços de tabaco.
O presidente que tornou o Uruguai um país livre de fumo,
proibindo o tabaco nos locais públicos, é o mesmo que cinco anos depois
terá de legislar para permitir que a marijuana seja vendida nas
farmácias. Uma medida com a qual não concorda.
O oncologista Tabaré Vázquez,
que esteve no poder entre 2005 e 2010, vai tomar posse a 1 de março do
próximo ano, herdando a aplicação da legalização da venda da canábis,
uma medida emblemática do atual presidente e parceiro da coligação
Frente Ampla, José "Pepe" Mujica. Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN
Acreditamos que com essa proposta é
possível manter a mesma Matriz curricular reduzindo apenas na nova
disciplina de Educação Tecnológica. Aguardamos a categoria de Geografia e
Estudos Amazônicos para o debate sobre o assunto nesta quarta-feira, às
10 da manhã no auditório da Escola Judith Gomes Leitão.
Exame em Jango não encontra veneno, mas investigação prossegue
Mariana SchreiberDa BBC Brasil em Brasília
Corpo do ex-presidente foi exumado; 'duas possibilidades de morte' ainda são investigadas
Os
resultados dos exames realizados após a exumação do corpo do
ex-presidente João Goulart não detectaram qualquer substância que
pudesse ter causado sua morte por envenenamento, informou a Polícia
Federal, que coordenou o trabalho de perícia.
No entanto, o perito
da PF Jeferson Evangelista Corrêa disse nesta segunda-feira que também
não era possível descartar completamente essa possibilidade, pois as
substâncias podem ter desaparecido, já que se passaram quase quatro
décadas desde seu falecimento.
Pelo mesmo motivo, segundo ele,
também não foi possível confirmar se Jango faleceu por causas naturais e
essa possibilidade também não pode ser descartada.
"Do ponto de
vista científico, as duas opções se mantêm. É importante a continuidade
de investigação por outros meios", reforçou o perito Jorge Perez, que
participou das análises como representante da família Goulart.
Dessa
forma, não é possível ter certeza se Jango morreu vítima de infarto
(ele era cardíaco) ou envenenamento. A análise dos restos mortais do
governante deposto pelo golpe militar de 1964 ficou sob coordenação da
Polícia Federal e envolveu laboratórios do Brasil, Portugal e Espanha,
além de peritos também da Argentina, Uruguai e Cuba.
Foram
analisadas 700 mil substâncias, entre materiais químicos e metálicos.
Foram encontrados, por exemplo, resquícios de xampu e do remédio que
Jango usava para o coração, mas em quantidades não nocivas. Umas das
possibilidades aventadas é de que ele teria sido envenenado por
alterações nas substâncias dos seus medicamentos.
Peritos que
participaram do processo explicaram que as substâncias têm diferentes
comportamentos e tempo de conservação. Por isso, o fato de não terem
sido encontradas substâncias tóxicas não significa que elas não
estivessem presentes antes.
A ministra Ideli Salvati, da
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, disse que o
relatório apresentado nesta segunda é apenas parte de um processo
investigativo que está em curso no Ministério Público Federal brasileiro
e na Argentina.
Ela informou que quaisquer imagens produzidas no
processo de exumação ficarão sob guarda da Polícia Federal, para
respeitar a privacidade dos familiares do ex-presidente.
A
ministra destacou ainda que o processo "é parte da exumação da história
do nosso país e do resgate do significado e da importância que teve o
presidente João Goulart para o Brasil".
Os restos mortais do
ex-presidente foram retirados do cemitério de São Borja (RS), sua cidade
natal, em novembro do ano passado, após uma operação de 18 horas, em
que foram colhidas doze amostras de gases de dentro do jazigo. Depois
disso, os restos mortais foram trazidos a Brasília para recolhimento de
outros materiais.
Sentado entre Salvatti e o filho de Jango João
Vicente Goulart, participou também do anúncio o ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão. Causou estranhamento sua presença porque Lobão
foi deputado federal pelo Arena, partido favorável à ditadura militar e,
em 2008, deu fortes declarações de apoio ao regime militar, negando
inclusive que se trata-se de uma ditadura.
"Ditadura mesmo foi com
o Getúlio (Vargas)", disse durante um discurso empresários paulistas.
"(O regime militar) Foi um momento em que o Brasil reencontrou seu
futuro, sua vocação para o desenvolvimento", afirmou na época.
Nesta quinta-feira, Lobão disse que sempre admirou Goulart, que foi ministro do Trabalho no governo Vargas.
Novas informações sobre Jango vêm à tona quase quatro décadas após sua morte
"Eu sempre fui um admirador
profundo das ideias e inclinações sociais do presidente João Goulart.
Ele estava profundamente ligado ao povo, aos mais pobres, aos
desvalidos, com os quais se preocupava diariamente e por toda a vida",
disse o ministro.
Mistério de quatro décadas
As
novas informações sobre Jango vêm à tona após quase quatro décadas de
mistério sobre a causa de sua morte, em 6 de dezembro de 1976, aos 57
anos, em sua fazenda no município argentino de Mercedes, onde estava
exilado.
A dúvida principal era se ele teria morrido em
decorrência de um infarto (ele era cardíaco) ou se teria sido envenenado
em ação da Operação Condor desencadeada pelo regime militar brasileiro
(1964-85) em conjunto com outras ditaduras do Cone Sul.
Diversos
fatores alimentaram o mistério em torno do falecimento de Jango. Seu
corpo não passou por autópsia e foi transportado diretamente para São
Borja, onde foi enterrado sem que o caixão fosse aberto.
Em
diversas entrevistas, seu filho apontou ainda como outro indício
suspeito da morte de seu pai o fato de que o atestado de óbito feito na
argentina registrou como causa da morte apenas "efermedad" (doença), sem
especificar qual.
Essa informação sempre foi largamente divulgada
na imprensa brasileira. Ela é contestada, porém, pelo jornalista
Juremir Machado da Silva, autor do livro Jango: A Vida e a Morte no Exílio.
Segundo
o escritor, que pesquisou a documentação relativa ao falecimento de
Jango na Argentina, o atestado de óbito registra a causa da morte como
"infarto do miocárdio". De acordo com ele, o que aponta a razão do
falecimento como "doença" é o registro de morte em cartório, em que o
atestado de óbito estava anexado.
Em 2002, outro fator estimulou a
teoria de assassinato político. O ex-agente uruguaio Mario Barreiro
Neira disse que o ex-presidente teria sido assassinado dentro Operação
Condor, em decisão conjunta dos governos de Uruguai, Brasil e Estados
Unidos.
Muitos questionam, porém, a credibilidade de Neira, que cumpre pena no Brasil por crimes comuns como tráfico de armas. Autor de O Governo João Goulart,
o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira diz que não há provas
de que Jango foi envenenado e afirma que a versão de Neira tem como
objetivo tentar evitar sua extradição para o Uruguai após o cumprimento
de sua pena no Brasil, sob a justificativa de que sofria perseguição
política.
Mortes de JK e Lacerda
Contribuiu
ainda para as suspeitas de que Jango foi assassinato o fato de que
outros dois importantes opositores do regime militar também morreram de
forma suspeita num intervalo de apenas nove meses: o ex-presidente
Juscelino Kubitschek (1956-61) e o ex-governador do hoje extinto Estado
da Guanabara Carlos Lacerda (1960-65).
Em abril deste ano, a Comissão Nacional da Verdade descartou a hipótese de que JK foi assassinado pelos militares.
Embora
JK e Lacerda tenham apoiado o golpe militar que em 1964 depôs Jango,
logo depois passaram a fazer oposição ao regime. Em setembro de 1966, os
três formaram uma frente política contra o governo ditatorial, a Frente
Ampla, extinta em 1968 pelos militares.
JK morreu em 22 de agosto
de 1976, aos 73 anos, quando viajava pela rodovia Presidente Dutra,
perto do município de Resende, no sul do Estado do Rio de Janeiro.
Durante muitos anos suspeitou-se de que o desastre foi resultado de um
atentado. Alimentaram a dúvida uma perfuração e vestígios de metal
encontrados no crânio do motorista do ex-presidente, quando o corpo foi
exumado anos depois do acidente.
Conflito entre comissões
Um
relatório de dezembro de 2013 da Comissão Municipal da Verdade de São
Paulo - que segundo o órgão se baseou em 90 indícios, provas e
testemunhos - sustentou que JK foi foi vítima de uma conspiração
política e acabou assassinado na Via Dutra.
No entanto, uma
análise própria da Comissão Nacional da Verdade encerrada em abril deste
ano teve conclusão inversa: o veículo Chevrolet Opala em que estavam
Juscelino e seu motorista Geraldo Ribeiro foi atingido lateralmente por
um ônibus e, em seguida, colidiu frontalmente com uma carreta Scania
Vabis, que vinha no sentido contrário da Dutra.
O grupo de peritos
analisou documentos, laudos e fotografias e concluiu, por exemplo, que a
fratura no crânio de Geraldo Ribeiro fora causada mais recentemente,
durante transporte do corpo. Uma das evidências é uma foto que estampou a
capa do jornal Estado de Minas quando o corpo foi exumado.
Segundo os peritos, a imagem mostra que, no momento em que os peritos
retiram o crânio do motorista de sua cova, ele está inteiro.
No
estudo, também foram analisadas as marcas de batidas nos veículos e
"exame de tintas" feito na época do acidente que mostra que a tinta no
ônibus era de fato do Opala, e vice-versa.
Já Carlos Lacerda
faleceu aos 63 anos, em 21 de maio de 1977, após ser internado na
Clínica São Vicente, na zona sul do Rio de Janeiro, por causa de uma
gripe forte, associada a um quadro de desidratação. A previsão era de
que receberia soro e teria alta no dia seguinte. Por volta da
meia-noite, porém, Lacerda começou a passar mal e menos de duas horas
depois estava morto, de infarto do miocárdio. Levantaram-se suspeitas de
que ele foi envenenado, mas não houve investigação.
Governador do Rio quer manter militares do Exército no Complexo da Maré, onde um cabo foi morto na semana passada
O número de policiais mortos este ano tem preocupado a cúpula da segurança
pública do Rio. De janeiro a novembro, 105 policiais militares foram
mortos, dos quais 17 em serviço e 88 de folga, a maioria deles por
reagir a ação de criminosos. Para tratar da questão da questão da segurança,
o secretário José Mariano Beltrame se reuniu, com o comandante-geral
interino da Polícia Militar, coronel Íbis Pereira, e o chefe da Polícia
Civil, delegado Fernando Veloso, além de integrantes de órgãos de
inteligência. O objetivo é avaliar ações de respostas imediatas ao crime
organizado. A morte, na última sexta-feira, do cabo do Exército
Michel Mikami, de 21 anos, no Complexo da Maré, levou o governador Luiz
Fernando Pezão a anunciar que pretende conversar com a presidenta Dilma
Rousseff e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele quer manter
a Força de Pacificação no local após o dia 31 de dezembro, prazo
inicialmente previsto para a saída das tropas federais. Segundo o
governador, a ideia é que a Força de Pacificação continue ocupando a
região até a formatura de novos policiais militares. - Uma comunidade (Complexo da Maré) ao lado da Avenida Brasil, da
Linha Vermelha, perto do Galeão, que tinha um nível de violência
inimaginável. Uma região que o tráfico dominou por mais de 30 anos. Isso
mostra a dificuldade que nós temos. E, se não fosse essa parceria com a
presidenta Dilma e as Forças Armadas, dificilmente conseguiríamos ter
êxito na nossa política de pacificação – avaliou Pezão. A Polícia Militar já formou, neste ano, 4,5 mil policiais. Com a
formatura de mais uma turma de 400 militares, em dezembro, a corporação
contará com 4,9 mil policiais até o final de dezembro. Para 2015, a meta
da corporação é formar 6 mil policiais que atuarão no policiamento
ostensivo e repressivo e no efetivo das Unidades de Polícia Pacificadora
(UPPs).
Polícia prende suspeito de matar adolescente a facadas
Em Parauapebas, no sudeste do Pará, a polícia prendeu um
homem que teria assassinado uma adolescente de 13 anos. Segundo a polícia, o
suspeito estaria com o celular da vítima e confessou ter matado a jovem por
ciúmes, pois teria um relacionamento
O jovem, de 21 anos, foi detido no município de São Domingos
do Araguaia, a 210 quilômetros de Parauapebas. A Justiça já havia expedido
mandado de prisão contra o suspeito, que foi transferido para a cadeia
municipal de Parauapebas.
O crime ocorreu no último dia 22 de novembro e chocou a
população pela crueldade como Bárbara Pereira, de 13 anos, foi morta. A
estudante desapareceu no dia 21 de novembro e, segundo familiares, teria saído
de casa depois de marcar um encontro pelo celular. Câmeras de segurança que
ficam perto da casa da vítima teriam registrado a saída dela em uma moto.
Bárbara foi encontrada morta a golpes de faca após ter sido abusada
sexualmente.
A polícia investiga se o homem preso pode ter envolvimento
com a morte da jovem evangélica Thais Santos Feitosa, em 2011. O crime possui
as mesmas características.
Blog do Odecy Guilherme
Fonte G 1 Pará
Acordo para a presidência da Alepa é quase impossível
Pelas condições de temperatura e pressão atuais, dificilmente, mas muito
dificilmente mesmo, haverá acordo na Assembleia Legislativa do Estado
para o lançamento de um candidato único, portanto de consenso, para a
presidência da Casa.
As conversas prosseguem, é claro. Parlamentares de todos os partidos se
dizem dispostos a conversar à exaustão. E quanto a isso, não expressam
novidade alguma, uma vez que a conversa, a negociação, a interlocução
com os contrários é prática normal - e das mais salutares - na política.
Mas a questão é que, entre os tucanos, as conversas são mais cosméticas,
para consumo externo. Servem mais para indicar que todos estariam
dispostos a ceder. Mas não estão, nem um pouco, dispostos a isso.
Setores do PSDB mostram-se convictos de que, como vencedores das últimas
eleições, não haveria o menor sentido em fazer concessões capazes de
projetar - por minimamente que fosse - os adversários.
E a oposição? A mesmíssima coisa. Só que em sentido contrário.
Os oposicionistas, muito embora também sempre dispostos ao diálogo,
acham que precisam, pelo menos, lançar uma chapa que marque posição.
Admitem, nesse sentido, que o próximo presidente será governista, mas pretendem lançar um chapa, como se diz, alternativa.
Mesmo sabendo que vão perder.
Policial branco que matou jovem negro em Ferguson pede demissão
Darren Wilson disse que tomou a decisão por razões de segurança. Morte de Michael Brown em agosto provocou onde de protestos nos EUA.
Da France Presse
O policial branco que matou em agosto um jovem negro desarmado na
cidade de Ferguson, no estado de Missouri - que não foi indiciado por um
grande júri, uma decisão que provocou protestos nos Estados Unidos -, pediu demissão no sábado (29).
Darren Wilson disse que tomou a decisão por razões de segurança (Foto: St. Louis County Prosecuting Attorney's Office/AP)
O oficial Darren Wilson afirmou que tomou a decisão por razões de
segurança, segundo uma carta que enviou ao Departamento de Polícia e que
foi publicada pelo jornal local St. Louis Post-Dispatch.
"Era minha esperança continuar no trabalho policial, mas a segurança
dos agentes de polícia e da comunidade são de importância primordial
para mim", afirma a mensagem de Wilson, de 28 anos.
O advogado de Wilson já havia anunciado que o cliente pediria demissão da polícia.
Wilson atirou e matou o adolescente negro Michael Brown em agosto em
Ferguson, subúrbio de St. Louis. Ele afirma que agiu em legítima defesa.
A alegação foi aceita pelo júri popular que examinou o caso na semana
passada.
O não indiciamento de Wilson provocou distúrbios, alguns violentos, em várias cidades dos Estados Unidos.
"Eu fui informado que se continuasse em meu trabalho, os moradores e
funcionários da polícia da cidade de Ferguson poderiam estar em perigo,
uma circunstância que não posso permitir", afirma Wilson na carta.
"É minha esperança que minha demissão permita à comunidade melhorar".
Morte de Michael Brown em agosto provocou onde de protestos nos EUA (Foto: Jeff Roberson/AP)