As Polícias
Civil e Militar desvendaram, nesta quinta-feira (10), o desaparecimento
do casal de comerciantes de joias, Eura Lima Guimarães e Antônio Sérgio
Barbosa Alves, que moravam em Parauapebas, no sudeste paraense. Eles
estavam desaparecidos desde a manhã de ontem (9), quando saíram de casa
para fazer cobranças da venda dos produtos. Os dois foram mortos durante
assalto e os corpos foram encontrados na manhã desta quinta, na zona
rural de Curionópolis, a 38 quilômetros do município onde as vítimas
residiam. Os dois autores do crime foram localizados e um deles foi
preso. O outro reagiu e morreu ao trocar tiros com policiais civis e
militares. O preso é Geovane Nascimento Macedo. O outro, que morreu, é
Daniel Lima de Souza, de apelido "Saddã".
O crime foi premeditado. As vítimas foram atraídas até a casa de Katiane
Oliveira Santos, acusada de ser a mentora do plano para roubar as joias
do casal. Segundo o delegado Heitor Magno Guimarães, titular da
Delegacia de Curionópolis, no final da tarde de quarta-feira (9), a
equipe de policiais civis do município foi informada de que as vítimas
teriam desaparecido após sair de casa para vir de carro até o município.
"As informações repassadas foram de que o casal havia saído pela manhã
de Parauapebas para comercializar joias e desde então não havia mais
feito contato com a família. Em seguida, a Polícia Civil em integração
com a Polícia Militar passou a fazer buscas na região de Curionópolis
para tentar localizar o casal", explica o policial civil.
Por volta de 22 horas, após recebimento de denúncias anônimas, a equipe
de Curionópolis chegou à residência de Katiane Santos, último local em
que o casal foi visto antes de desaparecer. Ela confirmou aos policiais
civis que os comerciantes haviam estado no local, para fazer cobrança da
venda de joias, mas, após o pagamento da dívida de R$900,00, segundo
ela, os dois seguiram para outro destino. A versão apresentada pela
mulher passou a ser investigada pelos policiais. Logo em seguida,
os policiais civis foram até o bairro Chamolândia, onde encontraram o
carro das vítimas, um veículo modelo HB20, de cor preta, abandonado em
um matagal. O delegado explica que, durante as buscas na área, as
vítimas não foram encontradas.
As investigações foram aprofundadas, salienta o delegado, até que a
equipe de policiais civis identificou os dois suspeitos - Daniel e
Geovane. "Recebemos informações de que eles estariam armados", disse.
Assim, os policiais civis se dividiram em duas equipes. Uma equipe foi
até uma casa na Rua Babaçu, onde encontrou Daniel de Souza. Ao perceber
os policiais, o suspeito passou a fazer disparos contra a equipe
policial. Na troca de tiros, Daniel foi alvejado por dois disparos e
morreu no local. Com ele, foi apreendido um revólver calibre 38 e um
saco com oito cápsulas de calibre 38 deflagradas.
A outra equipe policial foi até uma casa, na Avenida Minas Gerais, onde
estaria o outro suspeito, Geovane Macedo. Ali, o homem foi preso em
flagrante com cerca de 30 gramas de maconha prensada. Dentro da casa,
durante a revista, os policiais encontraram parte das joias roubadas das
vítimas. Ele vai responder pelos crimes de latrocínio - roubo seguido
de morte - e tráfico de drogas. Em depoimento, Geovane confessou na
Delegacia que matou o casal junto com Daniel para roubar as joias das
vítimas e que o crime contou com ajuda de Katiane, que foi usada para
atrair as vítimas até sua casa, para o assalto. Ela vai responder por
crime de latrocínio como co-autora.
Segundo ele, enquanto os comerciantes estavam na casa de Katiane, os
assaltantes apareceram no local armados e renderam o casal, mandando as
vítimas entrarem no próprio carro. Antônio Sérgio foi obrigado a dirigir
até uma estrada vicinal, a 14 quilômetros da sede de Curionópolis, onde
o casal foi morto a tiros por Daniel, que usou um revólver calibre 38
no crime, possivelmente, a mesma arma usada na troca de tiros com os
policiais. Ainda, segundo apurou o delegado, as cápsulas encontradas na
casa de Daniel foram retiradas do local onde o casal foi morto. A arma
passará por exame de comparação balística para esclarecer se foi a mesma
usada no crime.
Após o crime, segundo Geovane, os dois saíram do local levando o carro
das vítimas e esconderam o veículo no matagal. Após o acusado informar o
local onde os corpos foram deixados, os policiais civis seguiram até a
estrada vicinal, na zona rural, sentido da cidade de Redenção, onde
estavam os corpos. As vítimas apresentavam perfurações de bala. Segundo o
delegado, não foi possível identificar quantos disparos foram
deflagrados no casal, o que somente a perícia irá verificar no exame de
necropsia. Familiares de Daniel Souza informaram que ele teve diversas
passagens pela Polícia, quando adolescente, inclusive por crime de
homicídio. Na época, ele chegou a ser internado em uma unidade de
internação de adolescentes, em Belém, onde cumpriu pena determinada pela
Justiça.