Valor bloqueado na operação Lava Jato se aproxima de R$ 100 milhões
Alberto Youssef prestou seu último depoimento da delação premiada.
Na Suíça, procuradores começam a analisar documentos sobre o esquema.
Os valores bloqueados pela Justiça em
contas
dos investigados na operação Lava Jato se aproxima de R$ 100 milhões.
Nessa quarta-feira (26), não há nenhum depoimento marcado, mas os
policiais continuam analisando documentos e computadores apreendidos na
operação que investiga desvio de dinheiro da Petrobrás.
O único investigado libertado na semana passada que ainda não
entregou o passaporte à Justiça deve fazer isso nessa quarta. Carlos
Alberto da Costa e Silva, segundo as investigações, trabalhava para o
doleiro Alberto Youssef.
Até agora, quatro pessoas já fizeram com a Justiça acordo de delação
premiada e outras duas esperam que o acordo seja homologado. Uma delas é
Alberto Youssef, um dos principais investigados no esquema. Na
terça-feira (25), ele prestou o último depoimento da delação e terminou
de contar o que sabe em troca de uma possível redução de pena.
O depoimento durou seis horas e agora cabe ao Supremo Tribunal
Federal decidir se o acordo entre o doleiro e a Justiça tem validade.
Por enquanto, as mais de 100 horas de depoimento estão sob segredo de
Justiça. As gravações são mantidas em um cofre e foram codificadas.
“A nossa única função nesse momento é colaborar o máximo
possível, da melhor forma, esclarecer todos os fatos, trazendo aqueles
documentos que sejam necessários, a
prova
que seja necessária para que essa investigação continue cada vez mais
forte e chegue a um bom tempo”, afirma Antonio Figueredo Basto, advogado
de Alberto Youssef.
Bloqueios
O Banco do
Brasil
informou à Justiça Federal que bloqueou mais de R$ 18 milhões de dois
executivos da empreiteira Queiroz Galvão. O dinheiro foi encontrado em
investimentos de letras de crédito de agronegócios. Essa modalidade não é
automaticamente bloqueada pelo Banco Central quando há ordem da
Justiça. Por isso, o bloqueio foi feito de forma manual.
Também foram bloqueados R$ 677 mil em nome do ex-diretor de
serviços da Petrobras, Renato Duque. A quantia estava aplicada em letras de crédito imobiliário.
Até agora, os documentos que os bancos entregaram à Justiça indicam
que o total bloqueado dos investigados já passa de R$ 96 milhões. Os
valores serão depositados em contas judiciais para garantir a devolução
aos cofres públicos, caso fiquem comprovados os desvios.
Os advogados de defesa dos investigados querem que o caso vá para o
Supremo Tribunal Federal. Eles entendem que as investigações atingem
também políticos, que têm o chamado foro privilegiado e, por isso, só
poderiam ser julgados pelo Supremo.
O juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da operação Lava
Jato, tem orientado os investigados a não citarem nomes de políticos.
Para os advogados, a atitude é uma manobra do juiz para se manter à
frente do caso.
"Nós tivemos um episódio muito grave, em que a pessoa ia falar o nome
de um político, no exercício do mandato, que teria recebido dinheiro de
propina e o juiz diz: ‘não, aqui o senhor não pode falar nome de
político’. Ou seja, uma coisa absolutamente artificial para impedir o
deslocamento da investigação para o Supremo Tribunal Federal”, diz
Alberto Toron, advogado de executivos da UTC.
Em despacho divulgado na terça-feira (25), o juiz Sérgio Moro reagiu e
classificou como fantasiosa a argumentação de que estaria ocultando os
nomes de políticos. O juiz lembra que o sigilo é uma decisão do STF e
explica ainda que o processo da operação Lava Jato não tem como objetivo
identificar crimes de corrupção de políticos e sim crimes cometidos em
licitações, lavagem de dinheiro e corrupção de funcionários da
Petrobras.
No Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zavascki é quem vai
decidir o que será julgado: se só políticos ou todos os investigados. O
ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, nega participação em crimes e o
recebimento de vantagens indevidas. A Queiroz Galvão afirma que suas
atividades estão de acordo com a lei e que continua colaborando com os
esclarecimentos necessários.
Investigação na Suíça
Procuradores brasileiros do Ministério Público Federal estão na Suíça
e começam a analisar os documentos sobre a corrupção na Petrobrás. Eles
vão passar o dia inteiro reunidos com representantes do Ministério
Público Suíço, que também investigam as suspeitas de corrupção.
A Justiça suíça já havia aberto uma ação penal contra o ex-diretor de
abastecimento, Paulo Roberto Costa, por lavagem de dinheiro. Costa tem
12 contas pessoais na Suíça, com US$ 23 milhões que já foram bloqueados.
Um dos objetivos dos procuradores brasileiros é acertar a devolução
desse dinheiro ao Brasil.
O doleiro Alberto Youssef também tem dinheiro depositado no país. Os
procuradores buscam registros de movimentações financeiras de outros
envolvidos no caso. Eles disseram que as reuniões com os colegas suíços
ao longo desta semana são apenas o começo do trabalho em conjunto para
buscar o dinheiro desviado da Petrobras.